sábado, 29 de janeiro de 2011

A importância do Sadhana



Essa terceira semana aqui em Mysore foi uma semana bem proveitosa mais de alguns questionamentos. Eu cheguei aqui com a intenção de conhecer as raízes do Ashtanga Vinyasa Yoga, a onde tudo começou. Sentir a energia de praticar no Shala com milhares de praticantes de todos os cantos do mundo. Literalmente "esvaziei a xícara" e vim aprofundar minha disciplina espiritual, o meu Sadhana. Independente se eu iria fazer a primeira, segunda ou terceira série. Se realmente eu tivesse esta intenção com certeza não teria viajado até aqui. A longo do tempo, percebo que quanto mais avanço nas posturas da série do ashtanga, menos importantes elas se tornam. A vivência na prática nos ensina a desvendar o real sentido de estar ali e descobrir que existe muito mais além do que fazer posturas.  Não estou tirando nenhum mérito de fazer asanas, pois os acho muito importantes. Realmente é através dos asanas que limpamos o nosso corpo e juntamente com a respiração ele se torna uma poderosa ferramenta para buscarmos foco e estabilidade física e mental.
Mesmo não tendo expectativas em relação a “ganhar posturas”, naturalmente vem o questionamento. Sem querer, nos vemos apegados ao desejo. O ego esta ali o tempo todo nos testando, mas o importante é parar e somente observar este sentimento. No momento que nos identificamos com o desejo, consequentemente ele pode trazer algum tipo de frustração. E ai vem o questionamento...
Nesta semana me senti um pouco desmotivada e acomodada. Naturalmente a prática de asanas, esta ficando cada vez mais fácil e sem esforço. Por outro lado, venho sentindo-a cada vez mais firme e consistente. Então: ai esta o Yoga! Como diz no Yoga Sutra de Patanjali: Para se atingir o verdadeiro estado de Yoga, o asana deve se tornar firme e confortável. Aqui ninguém é melhor do que ninguém, é um bom treino de humildade e aceitação. Se é a primeira vez que você vem praticar ,vai começa com a Primeira Serie durante todo o mês. Com certeza fazemos isso, para buscarmos força e solidificar a prática.
Na ultima Conferência, Sharath  inicia com uma pergunta de um aluno de como devemos agir quando temos duvida em relação a pratica. Ele ficou em silêncio por alguns minutos e recitou o sutra que fala sobre os 9 obstaculos da prática, um desses obstaculos e a dúvida. Ele fala da importância de manter o Sadhana,  a disciplina espiritual. Não ficar muito preocupado em avançar nas posturas, ganhar autorização ou certificado...Se temos a prática embasada e forte, naturalmente as dúvidas desaparecem e a vida se torna mais fácil. Ele ressaltava o tempo todo a importância de ver a prática de ashtanga com uma disciplina espiritual : “O tempo de todo os alunos estão querendo mais , nunca estão satisfeitos com o que tem, se eu dou uma nova postura, ele já esta perguntando quando vai poder fazer a próxima. Querer sempre mais e mais é uma forma de apego.”
Nosso dia-a-dia sempre vão existir impecilhos que possam desviar o nosso caminho, mas precisamos sempre ter bom senso e manter o foco na prática.
Sharath lembra que Guru Ji já quase nem podia nem andar, pois já estava bem doente, mas descia as escadas todos os dias de manhã e ia fazer os 108 Gayatri Mantra, uma prática muito importante para os bhramanis.
O Sadhana nos fortalece e nos faz descobrir o sentido da vida e a nossa libertação como ser. Por isso pratique e tudo vira!             
                                             Namaste!


4 comentários:

  1. Que lindo Dany! ja era fã de seu trabalho "fisico "agora depois desta leitura vi que tens o lado espiritual e emocional caminhando bem juntinho! Amei e quero me espelhar em voce pra começar a praticar!

    Otima viagem que continues aproveitando cada segundo e venha mais inspiração pra POsts como este!

    Abraço

    Leticia

    ResponderExcluir
  2. Grande reflexão, Dany!
    Devemos sempre dispensar um momento para o nosso sadhana.
    Estou acompanhando as suas estorias, que estão sendo bem contadas. Será que vai dar um livro?

    ResponderExcluir
  3. pelo google cheguei aqui.

    muito bom texto!


    abraço
    Herbert

    ResponderExcluir